domingo, 24 de novembro de 2013

Buenos Aires - Chila

O Fernando já conhecia o Chila e me encheu de expectativas, dizendo que a comida era maravilhosa e que o lugar era lindo. 
Ao chegarmos lá, nós dois fomos surpreendidos, eu pela novidade e o Fernando porque o restaurante foi todo reformado. 
Outra surpresa boa logo no começo da noite foi esse cartaz que o garçom nos entregou, que mostrava que todos os produtos usados são argentinos. 
A carta de vinhos também era toda nacional e não faltavam ótimas opções. 
Valorização do produto local. A gente vê por aqui! 

Logo os produtos descritos no cartaz começaram a chegar à mesa, dando início a um dos melhores jantares que tive em terras sulamericanas. 
O chef nos deu as boas vindas com legumes em conserva laminados, mini brioche e um creme de alho poró. 

Também trouxeram uma cesta de pães para escolhermos e, apesar da vontade de dizer "pode deixar a cesta aqui", peguei só essa fatia de pão de vinho tinto. Para os afortunados que um dia forem ao Chila, não deixem de provar esse pão! É simplesmente delicioso. 

A minha entrada arrasou. Um ovo perfeitamente cozido por fora, com a gema totalmente líquida, num creme de vagem e cebola roxa. Apesar do desejo latente de me converter ao vegetarianismo, não foi desta vez: no meio disso tudo havia vários pedaços de gorda e carnosa panceta, bacon para os íntimos. 

O Fernando, para variar, resolveu escolher a coisa mais esquisita do cardápio (será que é para não ter de dividir comigo?): mollejas, que são o timo do boi, e que ele diz que são um dos miúdos mais gostosos que há. Tem isso, minha gente?! Miúdo gostoso?! Fato é que as ditas vieram caramelizadas e acompanhadas por milho em várias versões. Ele delirava quando comia, mas desta vez não caí na armadilha como naquele restaurante em Paris em que acabei experimentando escargot e descobrindo que lesma tem gosto de tijolo!

Voltando às partes normais de um boi, meu prato principal era um bife maturado por 28 dias, incrivelmente macio, acompanhado de purê de arroz. Faltou uma espuma de feijão para tornar o prato uma homenagem ao Brasil. Em vez disso, tinha uma espuma verde e um caldinho que parecia de grama batida no liquidificador. 

O Fernando comeu uma perna de cabrito assada, com vegetais, queijo de ovelha grelhado e um purê de batatas cremosíssimo que ele disse que só perde para o do Joël Robuchon. 
* Momento vigilantes do peso: quanto mais cremoso o purê, mais manteiga ele tem e mais gostoso fica... 

Antes da sobremesa, um sorbet de laranja para limpar o paladar.

Minha sobremesa era divina: suflê de doce de leite com um sorvete de creme que o garçom punha dentro na hora. Ele abre o suflê na sua frente e põe a bola de sorvete dentro, que derrete quase que instantaneamente. Acompanhando, uma garrafinha com a bebida mais antiga da Argentina, segundo nos disseram: um licor de laranja com ovo, que combinava perfeitamente com o suflê e o deixava ainda mais gostoso!

A sobremesa do Fernando era a mais light do cardápio, não sei o que deu nele. Limão e lima em várias versões, com uns cubinhos de suspiros. Nem quis experimentar, porque para mim limão no doce não combina. Gosto de limão temperando a salada, no salaminho, na isca de tilápia frita...

O Chila está classificado pela revista The Restaurant como um dos 50 melhores restaurantes da América do Sul, e é mesmo. Arrisco dizer que ele merecia colocação melhor do que a posição atual.

Mais uma coisa interessante no restaurante é o sistema de pedidos: um menu de três passos (que foi nossa opção) em que você pode escolher o que quer comer em cada etapa, ou um de sete pratos, com escolhas pré-determinadas pelo chef. 
Apesar de ter fome para os sete passos, preferi os três justamente por poder escolher o que queria comer.
Vai que o chef me manda miúdos?! Ou sobremesa de limão?! Vai que eu mando tudo para o prato do Fernando?! Vai que ele manda tudo pra dentro e eu saio de lá com fome?!







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