sábado, 31 de agosto de 2013

Arles - Le Criquet

Este restaurante nós encontramos pelo Trip Advisor. Estava classificado em primeiro lugar no site, sem nenhuma avaliação negativa. Para melhorar, as fotos que vimos na internet davam água na boca.
Gosto do Trip Advisor porque os comentários e avaliações são de gente como a gente, sem compromisso com ninguém. Claro que alguns "avaliadores" são questionáveis mas, quando todos consideram o restaurante bom ou ótimo a coisa fica mais fácil.
Tentamos jantar lá na quinta-feira, mas a casa estava lotada. "Desolée, madame" foi o que ouvimos. Insistentes, saímos com uma reserva para o dia seguinte e foi assim que acabamos comendo nele ontem.
Tanta expectativa e dificuldade aumentava a exigência de que o lugar fosse bom mesmo...e era!
Escolhemos menu com entrada, prato e sobremesa, com preço justo.
Minha entrada foi berinjela com sopa fria de tomates e torradas com tapenade de azeitonas pretas.

O Fernando comeu fundos de alcachofra com queijo de cabra.

Meu prato principal foi um cozido de carne de vaca (aqui na Provence eles não falam bœf como no resto da França, e sim taureau, que é touro mesmo). Se eles matam este tanto de touros para comer, não sei como fica a vida das vaquinhas...


O Fernando comeu perna de cordeiro com legumes e adorou. Só deixou o osso no prato.


No lugar da sobremesa, preferi o queijo de cabra com azeite de oliva.

O Fernando, moço muito conservador, finalizou com sobremesa mesmo e escolheu um creme brulée com um leve toque de alecrim. E olha a groselha dando o ar da graça de novo. 


Valeu termos insistido no restaurante e voltado lá no dia seguinte. O lugar é pequeno, bem familiar (o pai cozinha, a mãe lava e as filhas servem) e o serviço, surpreendentemente, é de primeira.  A sensação é de que se está em casa. 
Só é preciso caprichar no repelente, para não parecer tanto que se está em casa...............de praia em Ilhabela. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Uzès - La Table de Uzès

Uzès é linda! Uma cidadezinha provençal que é bem conhecida, mas não é invadida por hordas de turistas. Assim, os turistas mais atentos podem ir para lá e desfrutar de uma relativa calma...
Calmos ou não, o fato é que a nossa fome é sempre nervosa! Assim, quando fomos para lá, já tínhamos ideia de pelo menos uns quatro restaurantes para o almoço (na França, em agosto, ter planos B, C e D é essencial, porque muitos lugares fecham, como eu já disse em outros posts).
Demos sorte. O primeiro da nossa lista estava aberto e era uma delícia!
O restaurante fica dentro de um hotel bacanudo e chama La Table de Uzès. É comandado por um chef que tem cara de bebê, mas que é discípulo de outro chef cujo restaurante tem duas estrelas no Michelin. Coisa séria, portanto.
O que é legal, e que já abordei de passagem em outros posts, é que mesmo esses restaurantes de chefs conceituados quase sempre têm um menu a preços decentes, que permitem que você experimente uma cozinha excepcional sem correr o risco de terminar lavando pratos! O de hoje, por exemplo, saía por 25 moedinhas, com amuse bouche, entrada, prato, sobremesa e uma taça de vinho! É barato, mesmo convertendo euros em reais.

Como sempre, a seção de amuse bouche já começa mostrando a que veio o chef: um macaron de foie gras (desta vez passei e o Fernando ficou com dois), tapenade de azeitonas pretas na colher e uma focaccia (ele não quis compensar o foie gras me dando a dele). 

A entrada foi uma versão super chique para o croque monsieur. Se o croque já é a versão chique do misto quente, esse era o misto chique ao quadrado! Só para fazer inveja, o presunto era trufado...


O prato era um filé de cavala crocante por fora e macio por dentro, acompanhado de purê de couve-flor, picles de couve-flor e um molho pesto.


A sobremesa foi sorvete de creme brulê com uma fruta que não conhecemos (parece uma uva verde gigante), calda de caramel au beurre salè e amêndoas torradas. Quase pedi mais para levar para casa!!!


Por fim, com o café, a tradicional seleção de mignardises, que só são mignon no nome e no tamanho, porque têm gostosura de sobra!


Resumindo: restaurante cheio de pequenas delícias, chef com cara de bebê, menu com preço de McLanche Feliz e nós alegres como crianças. 

Arles - Bistrot À Côté

Depois de consultar o Trip Advisor, tentamos jantar no Le Criquet. Não deu, estava cheio. 
Cogitamos o Le Tropical, em frente. Não deu vontade. 
Fomos até o Hotel Le Particulier e consultamos o menu na porta. O dinheiro não deu. 
Por fim, acabamos no À Côté, bistrot do estrelado chef Jean-Luc Rabanel, que tinha um menu de jantar que cabia direitinho no nosso bolso e no nosso estômago. 

A minha entrada foi esse gazpacho estiloso, acompanhado de uma torrada com presunto bellota. O ramo de alecrim dava um toque especial e perfumava o prato toda vez que era necessário se aproximar do canudo para tomar a sopa. 


Mais uma vez a escolha do Fernando foi berinjela recheada com carne de carneiro. Esse prato parece ser bem pop por aqui, porque é muito comum encontrá-lo no cardápio. 


Meu prato principal constava no cardápio  como brandade de bacalhau, mas pode chamar de escondidinho que é quase a mesma coisa. Não importa o nome, estava delicioso!


A carne do Fernando veio na frigideira, acompanhada de batatas e algumas folhas de alface. Só não pedi para trocar de prato com ele de novo porque sou educadinha... Rs


E como o menu era mais simples, depois do prato principal já veio a sobremesa.
Ganha um doce quem adivinhar o que eu pedi... Sim, a estrela da viagem, o onipresente fromage blanc!!! Desta vez ele veio acompanhado de um purê de maçã e algumas frutas vermelhas, dentre elas groselha.  


Foi uma decepção comer groselha!!! Achei que fosse doce, mas ela era azedinha, nada parecida com a groselha Primor, sempre presente na casa da minha vó Carmen (tenho que especificar que era a MINHA vó Carmen porque o Fernando também teve uma).

O Fernando também teve a sua dose de groselha azeda, mas acompanhando uma torta bem doce de chocolate. 


Jantamos bem, gastamos médio pouco (o preço do euro impede grandes celebrações de economia) e tivemos uma noite pra lá de agradável. 
Só é preciso ressaltar alguns pontos negativos:
1. O serviço é péssimo. Os garçons dominam como ninguém a arte de ignorar o cliente, mesmo passando ao lado da mesa;
2. Quase fomos comidos pelos pernilongos. Vá de calça e aceite o repelente oferecido pelo restaurante;
3. Eles não têm groselha Primor!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Avignon - Christian Etienne*

O almoço de hoje foi em Avignon, cidade que já foi morada de papas na Idade Média.
Fomos ao restaurante Christian Etienne, que tem uma estrela no Guia Michelin.
O restaurante é lindo. Fica literalmente grudado no palácio papal e tem uma varanda muito gostosa para os dias de verão.
Para completar, além da comida maravilhosa, tem um menu de almoço com preço camarada.
Se o lugar não existia ainda na época dos papas, os pobrezinhos não sabem o que perderam. Como diria minha mãe, é "DOS DEUSES!!!"





O amuse bouche: na colher, foie gras com damasco; no copo, refrescante sopa de pepino com rabanete; e na pedra, salgadinhos de queijo. 


O sorvetão aí embaixo não tem nada a ver com o Fenocchio, do post de ontem, mas garanto que é tão bom quanto: um tomate recheado com brandade de bacalhau e recoberto com um creme de manjericão. Para acompanhar, uma sopa fria de tomate, um biscoito de tomate e uma espuma de bacalhau.
Confesso que não sou a maior fã de espumas (para mim, espuma é no banho!), mas o prato todo estava maravilhoso!


No detalhe, a brandade de bacalhau e o tomate. Coisa linda!


O prato principal era um filé mignon suíno, com blinis de grão de bico e um molho do próprio porquinho. Vejo a foto e quero repetir...


O menu que escolhemos não dava direito a queijos, mas a mente gordinha entrou em ação e atacamos o carrinho dos ditos com vontade...


Para finalizar, frutas frescas com sorbet de mojito e uma madeleine deliciosa.


Aix-en-Provence - Petit Pierre

Dia de visita relâmpago a Aix-en-Provence, porque o foco nessa parte da viagem são as cidades pequenas e mais pitorescas.
E para fazer valer a visita de algumas horas, lá fomos nós comer bem!
O Petit Pierre é a proposta mais simples e descolada do chef Pierre Reboul, dono também de um outro restaurante com o seu nome. 
O pequeno Pierre tem um ambiente colorido, com motivos infantis, mas quando os pratos começam a chegar à mesa você percebe que ninguém está ali para brincadeira. 

Minha entrada era uma versão mais esnobe, mas igualmente gostosa, da bruschetta de tomate, muçarela (é, em português ela tem nome feio, mas é tão boa quanto a mozzarella) e manjericão. Acho que nunca comi tanto tomate na vida como nesta viagem!

O Fernando foi de berinjela à parmiggiana acompanhada de salada. Pensei que ele estivesse doente porque não pediu foie gras e escolheu salada!

O prato que comi não foi o que escolhi. Explico: escolhi um hambúrguer, mas não sei direito por quê, uma vez que não sou muito amiga deles!
O Fernando pediu este entrecôte com fritas e, quando percebeu que eu tinha feito bobagem na escolha, se ofereceu para trocar comigo (pausa para os coraçõezinhos apaixonados saírem pelos meus olhos...).
Passado o momento ternura, reparem que beleza de carne, que veio sangrando...as batatas fritas, então, eram de comer de joelhos, fritas no ponto certo, em gordura animal mesmo, que dá muito mais gosto (e barriga, mas não é hora de esquentar com isso). 

Para quem ficou com peninha do Fernando pela troca, aí vai o hamburgão que ele traçou. Passou rápido, né?! Pois é, ele disse que estava ótimo. E as batatas gordas também estavam presentes!

Minha sobremesa eu não trocaria nem sob ameaça! Fromage blanc, minha nova paixão, como vocês já sabem, com frutas vermelhas e um biscoito crocante.

Para o Fernando, pain perdu (nome chique para rabanada) com pêssegos e sorvete de pêssegos.

Coraçõezinhos realmente saíram dos meus olhos quando o Fernando trocou de prato comigo. Ainda bem que nós dois fomos presenteados com batatas fritas na banha, que estavam maravilhosas. Só fico imaginando o quanto que teremos que caminhar no Ibirapuera para que essa banha saia dos nossos coraçõezinhos...



Nice - Sorveteria Fenocchio

O melhor sorvete de Nice!!! E olha que a cidade, pela proximidade com a Itália, tem ótimos gelatos.
Só tome cuidado para não levar Jundiá por Kibon, porque em Nice tem também a Pinocchio.
Na Fenocchio, a quantidade de sabores, ou como dizem por aqui, parfums, é de cair o queixo. Além dos diversos tipos de chocolate e de muitos sabores de frutas, tem alguns bem exóticos e nunca antes vistos. 

Cito alguns exemplos:
Sorvete de cerveja (biere), tomilho (thym), tomate com manjericão, jasmim, verbena... 

Para o amigo Bourgogne, tem até sorvete de Coca Cola!

Mas não pergunte se esse exotismo todo é bom. Preferi não arriscar e pedi um milkshake de morango. 

E pode tirar esse ar de surpresa do rosto por causa do tamanho do milkshake.
Era tão bom que por mim, em vez do nome da sorveteria, no copo poderia estar escrito anticonstitucionalissimamente!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nice - L'Univers*

Missão dada é missão cumprida!
Pedi ao Fernando para ele me levar a um bom restaurante em Nice e hoje fomos ao L'Univers. 
Essa é a terceira vez que visito a cidade, mas nunca tinha comido em um grande restô. Pudera!
Na primeira vez, em 2002, vim para cá estudar francês e, como boa estudante, vendia o almoço e mesmo assim o dinheiro não dava para comprar a janta. 
Na segunda vez, em 2010, passei por aqui durante um mochilão feito com a minha irmã e estava completamente fora de cogitação gastar muito com alimentação. Sem falar que dificilmente um restaurante chique aceitaria que eu entrasse no recinto com meu Crocs branco, o sapato mais social que eu tinha na mochila (seguido de perto pelo par de havaianas). 
Hoje, onze anos depois da primeira vez que pisei na Côte d'Azur, finalmente comi em um ótimo restaurante, dotado até de uma estrelinha!
Escolhemos o menu mais simples, com entrada, prato, queijo e sobremesa e achamos tudo muito gostoso. 

Como sempre, o chef mandou um amuse bouche como cortesia, que era uma sopinha de tomate com um camarão. 
Muito agradecida, falei que era alérgica e recusei a minha tigelinha, para que aquilo não virasse um "ferme bouche". 
O Fernando comeu o dele e achou ótima a combinação. O meu foi trocado só pela sopa de tomate e estava uma delícia, super refrescante. 

Minha entrada foi um canelone de berinjela, recheado com queijo, acompanhado de anchovas e pimentões vermelhos. Estava tão bom que comi até o manjericão!

O Fernando pediu camarão no espeto de ervas com flor de abobrinha empanada e umas folhinhas que pareciam ter sido arrancadas de alguma cerca viva. 

Pedimos o mesmo prato principal, um peixe amarelo que em francês se chama turbot e em português tem o simpático nome de rodovalho. Não preciso nem dizer que um turbot é muito mais apetitoso que um rodovalho...
O dito cujo veio acompanhado de cebolas empanadas e de um confit de cebolas - sorte que nós dois comemos a mesma coisa, ou seria uma daquelas noites em que certamente teríamos de dormir de costas um para o outro!

Esse foi o tradicional queijo antes da sobremesa. Um mimo!
 

Nesses copinhos foi servida uma espécie de raspadinha de hortelã tão fresca, mas tão fresca, que parecia que estávamos na sauna, chupando chiclete Ping Pong, depois de escovar o dente com Kolynos. Mega frescor!

A minha sobremesa foi arroz doce com sorvete, como se vê, numa versão bem mais elaborada que a que estamos habituados. 

O doce do Fernando foi uma tortinha de figo, no estilo da de maçã do McDonald's (SQN...).

Amo Nice e os amigos que tenho aqui. Aliás, graças a esses amigos, fiz grandes refeições na cidade. 
E uma grande refeição em restaurante demorou, mas saiu. 
Valeu a espera! 
Como diria Camões: Menos tempo esperaria se não fosse, para tão longo amor por Nice, tão curta a grana. 


Sainte-Cécile-les-Vignes - Campagne, Vigne et Gourmandise

No sábado saímos de Lyon em direção a Nice. São menos de 500 quilômetros que podem ser percorridos pelas autoestradas francesas  em poucas horas. Nós optamos por usar apenas vicinais e, entre uma parada e outra, levamos doze horas...
Duas horas foram gastas em uma cidadezinha da Provence chamada Sainte-Cécile-les-Vignes, onde está o restaurante em que almoçamos, que o Fernando pesquisou na internet.
E foi assim, no meio do nada, que comemos estas belezuras aí debaixo!

Salada para começar. 

A entrada do Fernando: flores de abobrinha com ervas, tomates, azeite e queijo de cabra.


Bifão com mais salada. Como eles são lights. 


O Fernando atacou esta berinjela recheada com carne de cordeiro, deliciosa!


Hora do queijo. E chega de ser light!


Meu queijo antes da sobremesa. Preciso escrever que foi fromage blanc?


Em seguida veio a minha sobremesa. Crepe de pralines e sorbet de ruibarbo (primo chique do aipo, muito usado em doces). 


 O Fernando optou por frutas na sobremesa. Só que os pêssegos eram açucarados e vinham acompanhados por um sorvete caseiro de amêndoas. Quase mais light que a salada.


Após doze horas de viagem, chegamos a Nice com os olhos cheios, pelas paisagens maravilhosas que vimos, mas com a barriga vazia. 
O cansaço era enorme, mas a fome era maior. Decidimos então fazer uma boquinha antes de dormirmos, nada muito elaborado, já que no dia seguinte pularíamos da cama cedo. 
E esse foi meu lanchinho da noite:

Mais inacreditável que o tamanho da pizza individual aqui em Nice é que, na manhã do dia seguinte, eu acordei morrendo de fome!